SAEST – Superintendência de Assistência Estudantil [ENTREVISTA COM PSICOLOGA JUCÉLIA]

SAEST – A Superintendência de Assistência Estudantil (SAEST) é um órgão integrante da Reitoria e auxiliar da Administração Superior da Universidade Federal do Pará (UFPA). Compete à SAEST propor, acompanhar e avaliar a política de assistência, integração, inclusão, acessibilidade e permanência dos discentes da UFPA, em conformidade com o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES).

 

Castanhal News: Qual é a equipe que se encontra aqui no Campus de Castanhal?

Psicóloga: Em questão de equipe normalmente nos interiores é mínima e alguns campos não possuem nem o mínimo, no caso seria o Psicólogo, Assistente social e Pedagogo. A UFPA de Castanhal é a única que está completa.

A SAEST de Belém tem o número maior de componentes nas equipes, mas começamos a dar esse atendimento dos profissionais. O programa vem da SAEST que são as bolsas e auxílios na qual a assistente social fará esse contato e oferece a orientação aos alunos de como realizarem as inscrições e tudo mais.

 

Castanhal News: Qual é o atendimento oferecido? 

Psicóloga: Os atendimentos psicológicos são voltadas mais para orientação, um trabalho mais psico educacional pois o trabalho do psicólogo aqui vai nesse sentido com atendimentos e orientações. Conforme a situação do aluno e se precisar de outros encaminhamentos eu direciono daqui. Geralmente para facilitar a situação do aluno que não tem como se deslocar para Belém e fazer esse atendimento mais clínico, nós contamos com a rede do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), dificilmente consigo outro local para encaminhar o aluno para uma psicoterapia. Se esse aluno tem uma demanda que vá exigir um trabalho maior, um quadro mais grave precisaria dessa parceria. No atendimento psicológico de terapia temos psicólogos em Belém ligados a SAEST que dão esse atendimento. A própria clínica da UFPA de psicologia faz esses atendimentos no aluno também. Para ficar aqui e não ter essa dificuldade da viagem e questões financeiras geralmente quando necessário fazemos o encaminhamento para o CAPS para ter esse apoio e em muitos faço esse acompanhamento para saber a evolução e se está conseguindo lidar, porque muitas das vezes tem um comprometimento na parte da aprendizagem aqui e vê quais quadros mais relevantes tipo depressão que atinge a vida acadêmica do aluno, mas quando se trata de situações envolvendo conflitos familiares ou questões mais específicas conseguimos dar o suporte para o aluno na qual ele possa se organizar aos poucos e continuar com suas atividades no curso. Tentamos trabalhar em conjunto com o serviço social e a pedagogia no sentido do aluno vim e fazer uma avaliação da situação dele nas disciplinas, pois todo o contexto do estudante faz parte do nosso trabalho.

 

Castanhal News: Tem algum outro(s) programa(s) oferecidos aos alunos?

Psicóloga: Temos outros serviços que fazem parte do suporte aos estudantes como o Programa de Estudante Saudável que é esse que tem vários tipos de encaminhamento que podem ser dados a ele como por exemplo de clínica médica, odontologia, psicologia e outros.

Geralmente eles são assistidos no Barros Barreto ou no Betina que são os hospitais universitários ligados a Federal, então o aluno necessita vir aqui expor sua situação que nós faremos o contato com a rede de Belém para poder realizar o encaminhamento.

 

Castanhal News: Tem que realizar algum cadastro para ter acesso a esses serviços?

Psicóloga: Sim! Tem que ser feito o cadastro no sistema para poder ser encaminhado.

 

Castanhal News: Já houveram casos de alunos necessitarem do encaminhamento?

Psicóloga: Sim! antes da minha chegada aqui neste campus. Vinha uma equipe de Belém fazer uns atendimentos na qual a própria coordenação daqui evidenciava as situações e pedia o apoio da psicologia, serviço social então tinha uma equipe itinerante da SAEST que realizam visitas nos municípios para tentarem ajudar os estudantes nas situações mais complicadas. A equipe realizava os atendimentos e já fazia o encaminhamento para Belém. Quando cheguei já haviam alunos encaminhados para Belém e realizavam a psicoterapia e permaneceram porque já haviam criado vínculo.Acho que foi um ganho para universidade chegar os serviços para este campus e sei que até hoje há alunos que desconhecem os serviços oferecidos aqui.

 

Castanhal News: Sobre as parcerias, nesse caso você falou do CAPS, mas há outros parceiros? E o que seria o CAPS?

Psicóloga: CAPS é o Centro de Atenção Psicossocial que trata dos comprometimentos da saúde mental da pessoa, então é uma rede da saúde mental do SUS e alguns lugares eles trabalham até com faixas etárias, saúde mental adulto, saúde mental criança e adolescente. É um local na qual as pessoas podem ir espontaneamente para buscar todo suporte para atender casos como: depressões, ansiedades qualificadas como impeditivas e outros casos mais comprometedores como esquizofrenia e etc… Então são quadros psiquiátricos, quadros de saúde mental que são atendidos pelo CAPS. 

No CAPS você terá uma equipe mínima de médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional e eles possuem atendimentos individuais e em grupo. Eles trabalham muito com grupos porque assim eles conseguem abarcar mais pessoas e nesse sentido trabalhar várias questões em que um vai reconhecendo as dificuldades no grupo, é bem interessante o trabalhos deles e aqui em Castanhal, logo que cheguei fiz o contato com o CAPS de Castanhal para conhecer os profissionais que atuavam aqui e na medida do possível vejo que as pessoas são bem recebidas e prosseguem com a CAPS. 

A princípio o CAPS assusta um pouco porque as pessoas ainda possuem o preconceito com Psicólogo então imagina com o Psiquiatra. As pessoas associam esses profissionais com atendimentos a “doidos”, mas a psicologia não vem somente para “Trabalhar a loucura” não é em hipótese nenhuma essa vertente. Ela vai avaliar sim dentro de um contexto as alterações que aquela pessoa está passando emocionalmente e o que está afligindo porque nós passamos por várias fases na vida que às vezes necessitamos desse novo olhar sobre a gente mesmo pelo fato de passarmos por mudanças e isto gera crises e também porque somos afetados por situações externas que nos mobilizam como as situações de: luto, separações, desemprego entre outros que afetam a família e às vezes irá repercutir no estudante.

Existem muitas situações estressoras, recentemente fui em uma turma para falar sobre o estresse porque vai afetando e as pessoas vão adoecendo e às vezes vão deixando de cumprir com suas atividades, deixando serem sufocadas e aos poucos vão sentindo o cansaço físico. O corpo vai notificando de que necessita de descanso, encontrei alunos que vieram procurar o apoio psicológico por questões de muita fadiga mental, desconcentração, ansiedades na qual acarreta angústia, depressão porque não conseguem seguir com a sua agenda escolar e se sentem culpados, baixam a auto estima. Então a proximidade da DAEST em Castanhal nos deixou mais próximos dos alunos, pois estamos aqui no dia a dia observando, vendo as situações. Vamos nas turmas quando solicitados, não somente estamos aqui por conta de um programa de benefícios que ajudará financeiramente os que mais necessitam, mas também por esse apoio que podemos contribuir nas nossas áreas: social, pedagógica e psicológica.

 

Castanhal News: Até mesmo para evitar que os casos do alunos se agravem né?

Psicóloga: Isso! É uma forma de prevenção.

 

Castanhal News: O CAPS é associado a DAEST ou foi você que estabeleceu essa parceria?

Psicóloga: Não! O CAPS é a rede SUS assim como as outras unidades de saúde. Nós fazemos essa “parceria” mas não tem nada formalizado. Lá, o atendimento é espontâneo, independente de ter um indicação a pessoa pode chegar e expor sua situação que eles vão fazer uma triagem. Aqui normalmente mandamos um resumo do caso da pessoa contando a história e o que detectamos e quais sinais a pessoa apresenta e assim fazemos o encaminhamento e lá o aluno fará uma outra avaliação mais aprofundada.

 

Castanhal News: O estudante quer ser atendido, ele procura e faz o agendamento e depois como ele procede?

Psicóloga: O aluno chega e diz que necessita do atendimento psicológico, então, trabalho por horário para dar o tempo para o aluno sentar e conversar de forma que possa trazer suas questões, no CAPS às vezes não estou disponível para esse primeiro contato que ele pede pois estou atendendo, então a assistente social anota a solicitação e pega o número do telefone para que possa entrar em contato com o aluno e verificar o melhor horário entre 8:00 e 14:00 horas que é o horário que atendo, então o último horário de atendimento é 13:00 hs  que vai até as 14. Geralmente os alunos do turno da noite ou da tarde preferem esse horário. A partir dessa primeira consulta após o agendamento, orientamos o aluno a realizar o cadastro no sistema da SAEST. Se eu verificar que o aluno está passando por uma situação que necessite de mais atendimento até que ele consiga melhorar emocionalmente, então fazemos um período de atendimento até que possamos “dar alta” para o aluno caso contrário a gente encaminha para o CAPS ou psicoterapia e se ele tiver condições de realizar esse serviço em Belém. Até agora os nossos encaminhamentos para o CAPS tem surtido efeitos positivos.

 

Castanhal News: Seu horário de atendimento é de 08:00 ás 14:00, mas todos os dias?

Psicóloga: Sim! Todos os dias, mas, um dia da semana vou para o campus II realizar o atendimento lá por conta de ser complicado o deslocamento deles para cá, pois, não tem ônibus que venha direto, então assim é uma forma da gente dar atenção para eles. Então no Campus são todos os dias menos na quinta-feira.

 

Castanhal News: Você falou que sua equipe é composta por uma assistente social, uma pedagoga e você como psicóloga. Nesse caso qual seria o trabalho oferecido pela pedagoga?

Psicóloga: Você poderia conversar melhor com ela, mas no momento ela se encontra de férias. O trabalho dela é de avaliação do histórico do aluno e ver como está a situação acadêmica dele para vê se ele perdeu alguma disciplina e caso sim ver em qual bloco ele poderá recuperar, tentar identificar o que está atrapalhando o processo de aprendizagem dele, quais dificuldades ele está tendo naquele semestre, então, de modo geral ela trabalha nesse sentido. Às vezes alguns alunos vêm procurar ela justamente para conseguir se organizar melhor nas disciplinas e ela escuta os alunos para saber se é o método de organização ou se ele está passando por outra situação. Se for situações que não cabem no âmbito pedagógico ela me encaminha o aluno. Às vezes são vários contextos que as três atuam juntas para ajudar aquele aluno. 

 

Castanhal News: No caso a pedagoga pode intervir se o aluno estiver passando por problemas e tenha perdido o dia da prova ou a entrega de algum trabalho, ela pode conversar com o professor para que ele possa passar uma prova de segunda chamada ou adiar o prazo para a entrega do trabalho? Normalmente não se tem atestados para esses tipos de problemas na qual o aluno possa entrar com recurso para fazer uma prova de segunda chamada. 

Psicóloga: Quando o aluno tem problema psicológico ele vem nos procurar e está em acompanhamento, então ele necessita ter os laudos. Temos aluno que necessitou se afastar por um tempo porque realmente não estava bem, mas ele trouxe todos os laudos psiquiátrico do CAPS, então a gente orienta que existem as questões da própria instituição, mas, em algumas situações nós chegamos a conversar com os professores para explicar que ele está em acompanhamento, mas o aluno precisa nos comunicar antes da situação dele e o mesmo deve está em acompanhamento conosco para que possamos ajudá-lo, nesse caso entra a pedagoga para ver se o aluno terá condições de continuar na disciplina ou se for algo mais sério na qual a gente avalia para saber se ele precisará se afastar por um tempo para melhorar seu estado emocional. Então não estamos aqui para estar ajudando esse aluno no sentido específico dele perder uma prova e vim falar a situação dele só para refazer a prova. Nós temos esse olhar, mas o aluno também tem que vim conversar antes e fazer esse acompanhamento.

 

Castanhal News: Não somente procurar a ajuda para essa questão específica de perda de prova ou entrega de trabalhos né?

Psicóloga: Sim! O aluno precisa nos contar o que está acontecendo e se houve naquele dia algo mais sério ou comprometedora nos acionar! não deixar passar muito tempo e geralmente quando são coisas muito impeditivas, pedimos aos alunos que tenham esse cuidado de ter atestado ou se é algo familiar que venha logo conversar conosco para que possamos pelo menos nos organizar da melhor forma para prestar esse auxílio até mesmo porque os professores de forma geral não querem prejudicar o aluno, eles tentam entender, porém eles possuem regras da instituição que devem ser seguidas para que o professor possa se respaldar. Quando temos uma conversa aberta com o professor no geral eles compreendem e ajudam da melhor forma possível.

Já tivemos casos de alunos que perderam familiares e os professores foram ajustando para que os alunos não perdessem as provas, mas, dentro dos prazos. Havia todo um carinho por conta de todos estarem cientes do caso, pelo fato do aluno ter tido o comprometimento de realizar o acompanhamento e nos contar todo o caso. Por isso é preciso desse cuidado do aluno.

 

Castanhal News: O aluno se cadastra em qual sistema para ter esse acompanhamento para mais sessões?

Psicóloga: O aluno entra no Site da SIGAEST e realiza o procedimento que tem um questionário, alguns documentos que necessitam ser anexados no próprio programa para ele ser cadastrado. Inicialmente a gente libera o CPF dele e damos um período para fazer o cadastro.

Isto é um requisito de suma importância para o nosso trabalho porque é uma exigência da própria SAEST que os alunos que sejam beneficiados dos atendimentos sejam cadastrados.

 

Castanhal News: O SAEST seria o que?

Psicóloga: É a Superintendência de Assistência Estudantil.

 

Castanhal News: No caso vocês criaram a DAEST por oferecerem esses serviços mínimos da SAEST ou não?

Psicóloga: A DAEST são os pólos da SAEST nos Municípios.

 

Castanhal News: Então chamam de DAEST em todos os polos da UFPA fora Belém?

Psicóloga: É, nesse caso a DAEST é a Divisão de Assistência Estudantil na qual temos em todos os municípios, mas nem todos eles possuem o grupo fechado. Tem locais que só tem assistente social ou psicólogo e pedagogo ou outras combinações. A universidade tem polos em vários municípios mas nem todos tem uma DAEST. Aqui em Castanhal ainda tem a equipe mínima que chamamos de trie que é composto por psicólogo, pedagoga e assistente social. 

Nesse caso já temos a divisão aqui que oferecem esses serviços, mas existem municípios que não possuem nada, ai o coordenador desse polo terá que entrar em contato quando tiver necessidade por alguma situação para que possa ir uma equipe realizar a consulta aos alunos por um período.  Em Castanhal era assim, não tínhamos a divisão então quando cheguei a situação era essa de haver muita necessidade por parte dos alunos até pedirem o atendimento psicológico e em Castanhal havia uma situação que achei bem interessante que não é somente aqui, pois também temos em Belém que é o alto grau de suicídio de jovens, então a questão da depressão em jovens estava se mobilizando muito para esse lado de Castanhal e tivemos um caso grave no final de 2017 que mobilizou a cidade. Logo quando cheguei por volta de Fevereiro desse mesmo semestre participei de um grupo aqui que estavam envolvidos várias entidades movidas em criar estratégias para o atendimento dos jovens, então veio a DAEST para cá na qual se via muita necessidade do atendimento e essa preocupação com a juventude que estavam trazendo muitas demandas e situações. Hoje tem parecido muitos casos depressivos com essas lesões e mutilações, também se tinha a preocupação da comunidade em geral na questão da saúde mental dos jovens.